MEC: Chega de médicos; precisamos de mais advogados (?!).

O Governo Federal decidiu suspender a abertura de editais para criação de novos cursos de medicina no país até 2023 e, segundo ele, o objetivo da portaria é preservar a qualidade do ensino e garantir a sustentabilidade da política de formação médica no Brasil. Essa decisão também impede o aumento na oferta de vagas de cursos atuais.

“Isso se faz necessário até porque as metas traçadas com relação à ampliação da oferta de médicos no Brasil já foram atingidas”, disse Mendonça Filho no comunicado. De acordo com o ministro, o país já cumpriu a meta de criar 11 mil vagas anuais em cursos de medicina, cujo prazo só terminava em 2019, mais que dobrando o número de faculdades nos últimos anos.

Por outro lado, o MEC autorizou quase 11 mil novas vagas em cursos de Direito apenas em 2018. Só esse mês de abril de 2018, o Secretário de Regulação e Supervisão do Ensino Superior autorizou a abertura de mais 09 faculdades de Direito, em um total de mais 1.210 vagas para estudantes de Direito.

Já sabemos que o curso de Direito já é a maior graduação do Brasil, de acordo com Censo da Educação Superior 2016 divulgado em 2017 pelo MEC.

Ora, não é de admirar que para fechar as contas grandes grupos educacionais tenham que demitir professores em massa, contratar outros à preço de banana, instituir aulas cada vez mais online em cursos presenciais, adotando também o TCC online, diminuir a prática jurídica nos NPJs (prática jurídica para inglês ver), entre outras medidas para gastar menos.

Significa dizer que não precisamos de mais médicos, mas precisamos sim de mais advogados, não é, MEC? Hmmmmm….

Um fato curioso é que, procuradas pela Reuters, a Kroton Educacional, maior grupo de ensino superior do país, disse que não comenta o assunto e a rival Estácio Participações informou que “está comprometida com o Programa Mais Médicos”.

Ampliam-se as vagas para cursos de Direito no Governo Temer, a OAB não consegue barrar isso e a Kroton agradece.

Congelam-se as vagas para cursos de Medicina no Governo Temer, o CFM aplaude e a Estácio resmunga.

Hmmmmmm…..

O fato é que, em vez de ficar brigando por uma falaciosa extinção da OAB, extinção do Exame de Ordem, alguém deveria se preocupar com a qualidade do ensino jurídico que vai cada vez mais para o ralo.

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